Documento aberto · atualizado em 2026-07-08
Base de Educação Inclusiva
Catálogo de necessidades educacionais específicas e estratégias de adaptação de materiais: base anti-alucinação da ferramenta Material Adaptado. Mesma filosofia da base BNCC: a IA só usa estratégias catalogadas aqui.
14
necessidades mapeadas
100
estratégias de material
9
disciplinas (EF1 e EF2)
10
fontes de referência
Princípio anti-alucinação: a IA recebe apenas as estratégias deste catálogo para a necessidade e a disciplina escolhidas. Ela nunca inventa conduta pedagógica, do mesmo jeito que só cita códigos oficiais da BNCC.
Os três princípios do DUA
Desenho Universal para a Aprendizagem, a lente que atravessa todas as adaptações.
Múltiplos meios de engajamento (o PORQUÊ de aprender)
Oferecer diferentes formas de despertar e sustentar interesse: temas ligados à vida do aluno, escolhas, metas curtas, feedback frequente, previsibilidade.
Múltiplos meios de representação (o QUÊ aprender)
Apresentar o conteúdo por mais de um canal: texto + imagem + fala + gesto + objeto concreto; vocabulário destacado e definido; estrutura visível (títulos, passos numerados).
Múltiplos meios de ação e expressão (o COMO demonstrar)
Aceitar diferentes formas de resposta: oral, escrita, desenho, apontar, colar, montar, gravar; dividir tarefas em etapas; dar tempo estendido.
Níveis de suporte
leve
Aluno acompanha a turma com pequenos ajustes de formato (mais tempo, enunciados simplificados, apoio visual). Mantém os mesmos objetivos da turma.
moderado
Aluno precisa de material reorganizado (menos itens por página, exemplos resolvidos, vocabulário controlado, apoios visuais constantes) e mediação frequente. Objetivos iguais ou parcialmente ajustados.
elevado
Aluno precisa de material substancialmente adaptado (pictogramas/CAA, atividades funcionais e concretas, resposta por seleção em vez de produção) e mediação contínua. Objetivos individualizados registrados em PEI.
Necessidades — público-alvo oficial do AEE
Categorias do Decreto 7.611/2011 e do Glossário do Censo Escolar (INEP). Clique para abrir.
+–Transtorno do Espectro Autista (TEA)público-alvo AEE
Também aparece como: autismo · espectro autista · TGD (termo antigo)
Como esse estudante aprende
- •Preferência por rotinas e previsibilidade; mudanças inesperadas geram desorganização
- •Processamento literal da linguagem; dificuldade com ironia, metáfora e enunciado ambíguo
- •Possível hiper ou hipossensibilidade sensorial (sons, texturas, excesso visual)
- •Interesses específicos intensos que podem ancorar a aprendizagem
- •Variação enorme de perfil: de alunos verbais e alfabetizados a alunos não verbais que usam CAA
Estratégias de material (10)
- •Estruturar a atividade em passos numerados e curtos, um comando por vez
- •Usar enunciados literais, diretos e na ordem em que a ação deve acontecer
- •Antecipar o que vai acontecer: começar o material com um roteiro visual da atividade
- •Apoiar cada bloco de conteúdo com imagem ou pictograma coerente (padrão CAA/ARASAAC)
- •Aproveitar interesses específicos do aluno como contexto dos exemplos e problemas
- •Reduzir estímulos por página: mais espaço em branco, uma questão por vez, sem elementos decorativos
- •Oferecer alternativas de resposta por seleção (ligar, circular, marcar) além da escrita
- •Manter o mesmo layout e os mesmos comandos de uma atividade para outra (previsibilidade)
- •Incluir pausas programadas em atividades longas
- •Sinalizar claramente início, meio e FIM da atividade (senso de completude)
Recursos
- •Rotina visual (sequência de pictogramas do passo a passo)
- •Pictogramas CAA (padrão ARASAAC) legendados
- •Cartões de apoio (vocabulário com imagem)
- •Organizadores gráficos simples (quadros, fluxos com setas)
- •Timer visual para gestão do tempo
Avaliação flexibilizada
- •Aplicar em ambiente previsível e sem tempo rígido
- •Trocar questões abertas longas por seleção, correspondência e completar
- •Aceitar resposta oral, apontada ou por CAA
- •Dividir a avaliação em blocos curtos aplicados em momentos diferentes
Evitar
- ✕Enunciados com duplo sentido, pegadinhas ou ironia
- ✕Mudança de formato/layout sem aviso
- ✕Página poluída com muitos elementos decorativos
- ✕Exigir contato visual ou exposição oral diante da turma como única forma de resposta
+–Deficiência Intelectual (DI)público-alvo AEE
Também aparece como: DI · déficit cognitivo
Como esse estudante aprende
- •Ritmo de aprendizagem mais lento; precisa de mais repetição significativa e exemplos
- •Melhor desempenho com apoio concreto (material manipulável, imagem, situação real)
- •Dificuldade com abstração, generalização e enunciados longos
- •Memória de trabalho reduzida: instruções em cadeia se perdem
Estratégias de material (10)
- •Partir sempre do concreto e do cotidiano do aluno antes do abstrato
- •Reduzir a quantidade de itens mantendo o MESMO objetivo essencial da turma
- •Simplificar o vocabulário do enunciado sem infantilizar o conteúdo
- •Apresentar um exemplo totalmente resolvido antes dos exercícios
- •Dividir tarefas complexas em subtarefas com verificação a cada etapa
- •Usar apoio visual em todo conceito novo (foto, desenho, esquema)
- •Retomar o conteúdo anterior no início do material (ativação de memória)
- •Propor atividades funcionais: dinheiro, calendário, rótulos, receitas, placas
- •Oferecer banco de palavras ou opções para completar em vez de produção livre
- •Aumentar fonte e espaçamento; deixar espaço generoso para a resposta
Recursos
- •Material dourado, ábaco, tampinhas e outros manipuláveis (matemática)
- •Sequências de imagens para reconto e ordenação
- •Banco de palavras com apoio de imagem
- •Jogos de correspondência e memória com o vocabulário da aula
- •Réguas de leitura e guias de linha
Avaliação flexibilizada
- •Avaliar o processo e o progresso individual, não só o produto final
- •Menos questões, mais tempo, leitura do enunciado em voz alta permitida
- •Aceitar demonstração prática (mostrar, montar, apontar) como evidência de aprendizagem
- •Registrar avanços em relação ao próprio aluno (portfólio)
Evitar
- ✕Copiar por copiar (cópia longa sem função pedagógica)
- ✕Enunciados com mais de uma ordem embutida
- ✕Reduzir a atividade a pintura/decoração sem objetivo da disciplina
- ✕Material visivelmente 'de bebê' para alunos maiores (fere a dignidade e desmotiva)
+–Deficiência visual (cegueira)público-alvo AEE
Também aparece como: aluno cego · DV total
Como esse estudante aprende
- •Acesso ao conteúdo por audição e tato; nada que dependa exclusivamente de imagem funciona sem descrição
- •Leitura/escrita por Braille (quando alfabetizado em Braille) e/ou leitores de tela
- •Constrói conceitos espaciais e visuais por experiência tátil e descrição verbal
Estratégias de material (7)
- •Escrever o material pensando em ser LIDO EM VOZ ALTA ou por leitor de tela: tudo em texto linear e ordenado
- •Descrever verbalmente toda imagem, gráfico ou mapa essencial (audiodescrição didática) ou substituir por versão tátil
- •Substituir questões de 'observe a figura' por questões com a informação dada em texto
- •Indicar materiais concretos/táteis que o professor pode providenciar (mapa em alto-relevo, sólidos geométricos, texturas)
- •Estruturar com numeração explícita ('Questão 3 de 5') para navegação por áudio
- •Evitar referências espaciais visuais ('como mostra ao lado', 'a figura acima'); usar referências textuais
- •Sinalizar no material o que deve ser transcrito para Braille pelo AEE
Recursos
- •Transcrição Braille (via sala de recursos/AEE)
- •Leitores de tela e audiolivros
- •Reglete/máquina Perkins (registro do aluno)
- •Materiais táteis: mapas em relevo, sólidos, células de textura
- •Sorobã (cálculo)
Avaliação flexibilizada
- •Prova oral ou em Braille (conforme domínio do aluno), ou com ledor/escriba
- •Tempo estendido (leitura tátil é mais lenta)
- •Substituir itens dependentes de imagem por equivalentes verbais
- •Permitir respostas gravadas em áudio
Evitar
- ✕Atividades cuja resposta depende exclusivamente de ver (ligue os desenhos, pinte, caça-palavras visual)
- ✕Descrever imagem com 'isto' e 'aquilo' sem nomear
- ✕Material entregue apenas impresso comum, sem versão acessível
- ✕Excesso de informação simultânea em áudio (uma instrução por vez)
+–Deficiência visual (baixa visão)público-alvo AEE
Também aparece como: visão subnormal · DV parcial
Como esse estudante aprende
- •Enxerga com resíduo visual funcional; o que muda é o TAMANHO, o CONTRASTE e a POLUIÇÃO da página
- •Fadiga visual rápida; desempenho cai ao longo da atividade
- •Necessidades variam muito: alguns precisam de ampliação, outros de contraste, outros dos dois
Estratégias de material (7)
- •Ampliar fonte (16-24pt conforme laudo/experiência) com fonte sem serifa e traço firme
- •Alto contraste: texto preto sobre fundo branco/amarelo claro; nunca texto sobre imagem
- •Engrossar linhas de tabelas, contornos de figuras e pautas de escrita
- •Espaçamento generoso; página limpa, sem marca-d'água ou fundo decorado
- •Imagens simples, grandes, com contorno reforçado e sem detalhes minúsculos
- •Uma coluna só (leitura em duas colunas confunde o rastreio visual)
- •Dividir o material para evitar fadiga (blocos com pausa)
Recursos
- •Lupa manual/eletrônica e telescópios (uso do aluno)
- •Caderno de pauta ampliada e lápis 6B
- •Plano inclinado (suporte de leitura)
- •Iluminação dirigida
Avaliação flexibilizada
- •Prova ampliada no tamanho que o aluno usa
- •Tempo estendido
- •Permitir aproximar o material dos olhos e usar auxílios ópticos
- •Ledor disponível para trechos longos
Evitar
- ✕Fotocópia de fotocópia (perde contraste)
- ✕Fonte pequena 'para caber em uma folha'
- ✕Fundos coloridos, texturizados ou com imagens atrás do texto
- ✕Exigir leitura de mapas/gráficos minúsculos
+–Deficiência auditiva / Surdezpúblico-alvo AEE
Também aparece como: aluno surdo · DA · usuário de Libras
Como esse estudante aprende
- •Para muitos alunos surdos, Libras é a primeira língua (L1) e o português escrito é SEGUNDA língua (L2)
- •Vocabulário de português escrito pode ser reduzido; frases longas e voz passiva dificultam
- •Canal visual é a via principal: imagem, esquema, demonstração
- •Alunos com perda parcial/aparelho/implante têm perfis diversos (podem oralizar)
Estratégias de material (7)
- •Escrever como para leitor de português-L2: frases curtas, ordem direta, vocabulário frequente
- •Apoiar TODO conceito novo com imagem, esquema ou dramatização
- •Destacar e glossariar termos novos (palavra + imagem + definição simples)
- •Priorizar recursos visuais: mapas mentais, linhas do tempo, quadros comparativos, histórias em quadrinhos
- •Instruções demonstradas com exemplo visual, não só ditas/escritas
- •Sinalizar ao professor quando houver intérprete: dar tempo de olhar o material E o intérprete (não simultâneo)
- •Em EF1, alfabetização visual: associar palavra escrita → imagem → (quando possível) sinal em Libras
Recursos
- •Intérprete de Libras (direito do aluno; via escola)
- •Dicionários e glossários ilustrados; sinalário da disciplina
- •Vídeos com legenda e/ou janela de Libras
- •Materiais imagéticos: cartazes, sequências ilustradas
Avaliação flexibilizada
- •Enunciados em linguagem direta; permitir tradução do enunciado em Libras
- •Valorizar o conteúdo da resposta acima da forma do português escrito (L2)
- •Aceitar resposta em Libras (registrada/traduzida) quando o objetivo não é escrita
- •Provas com apoio visual nas questões
Evitar
- ✕Avaliar conhecimento da disciplina através da complexidade do português escrito
- ✕Vídeos/áudios sem legenda como fonte principal
- ✕Enunciados metafóricos e expressões idiomáticas sem explicação
- ✕Ditados e atividades dependentes de escuta
+–Deficiência física / motorapúblico-alvo AEE
Também aparece como: paralisia cerebral (aspecto motor) · cadeirante · mobilidade reduzida · coordenação motora comprometida
Como esse estudante aprende
- •A barreira costuma ser MOTORA, não cognitiva: escrever, recortar, manusear pode ser difícil ou lento
- •Alguns alunos usam tecnologia assistiva (acionadores, pranchas, computador)
- •Fadiga física; tempo de execução maior
Estratégias de material (6)
- •Reduzir a demanda motora fina: pedir para marcar/circular/ligar em vez de escrever longamente
- •Espaços de resposta grandes; alternativas com letras grandes para circular
- •Aceitar resposta oral, digitada ou por apontamento
- •Atividades de recorte/colagem: oferecer peças pré-recortadas grandes
- •Menos itens, mesmo objetivo (a lentidão motora não pode virar punição)
- •Em Educação Física: prever variação da atividade com participação real (funções, regras adaptadas)
Recursos
- •Engrossadores de lápis, tesoura adaptada, plano inclinado
- •Computador/tablet para digitação
- •Pranchas de comunicação (quando a fala é afetada)
- •Fixadores de papel (fita, prancheta antiderrapante)
Avaliação flexibilizada
- •Tempo estendido SEMPRE
- •Escriba (alguém escreve o que o aluno responde) quando necessário
- •Formatos de baixa demanda motora (múltipla escolha, oral)
- •Avaliar participação possível em atividades práticas, não o gesto motor padrão
Evitar
- ✕Avaliar capricho/caligrafia
- ✕Atividades cronometradas de escrita
- ✕Excluir o aluno de práticas/experimentos por 'não conseguir' (adaptar a função dele na equipe)
- ✕Folhas pequenas com espaços minúsculos de resposta
+–Altas habilidades / Superdotação (AH/SD)público-alvo AEE
Também aparece como: superdotado · AH/SD
Como esse estudante aprende
- •Aprende rápido, generaliza e conecta; o risco é o TÉDIO e o desengajamento
- •Pode ter perfil assíncrono: intelectualmente avançado, emocionalmente na idade
- •Interesses profundos em áreas específicas
- •Pode coexistir com TDAH/TEA/dislexia (dupla excepcionalidade)
Estratégias de material (6)
- •Enriquecer, não só acelerar: mais profundidade, conexões e problemas abertos sobre o MESMO tema da turma
- •Substituir exercícios repetitivos por desafios de aplicação, análise e criação
- •Propor questões de pesquisa e extensão ('e se...?', 'compare', 'crie um...')
- •Incluir tarefa de produção autoral (explicar para a turma, criar jogo/experimento/modelo)
- •Conectar o tema com problemas reais e outras disciplinas
- •Oferecer autonomia de escolha entre desafios de mesmo objetivo
Recursos
- •Roteiros de pesquisa e projetos
- •Materiais de aprofundamento (textos de nível acima, dados reais)
- •Desafios tipo olimpíadas (OBMEP, OBA etc.) relacionados ao tema
Avaliação flexibilizada
- •Avaliar por produção e projeto, não apenas prova padrão
- •Rubricas que valorizem profundidade, originalidade e argumentação
- •Permitir compactação: demonstrou domínio → avança para o desafio
Evitar
- ✕Dar 'mais do mesmo' como prêmio por terminar rápido (mais 20 continhas)
- ✕Usar o aluno apenas como monitor dos colegas
- ✕Ignorar as necessidades socioemocionais (perfeccionismo, frustração)
- ✕Punir questionamentos e caminhos de resolução não convencionais
+–Síndrome de Downpúblico-alvo AEE
Também aparece como: T21 · trissomia 21
Como esse estudante aprende
- •Geralmente cursa com deficiência intelectual de grau variável (aplicar também as estratégias de DI)
- •Força no aprendizado VISUAL: memória visual costuma ser melhor que a auditiva
- •Linguagem expressiva frequentemente atrás da compreensão (entende mais do que fala)
- •Possíveis questões associadas: hipotonia (motricidade fina), audição e visão a verificar
Estratégias de material (6)
- •Priorizar rota visual: palavra escrita + imagem sempre juntas (leitura global funciona bem)
- •Instruções curtas demonstradas com modelo pronto ('faça como este')
- •Repetição distribuída com variação (mesmo conceito em jogos, música, atividade prática)
- •Atividades de motricidade facilitada (pareamento, colagem de cartões grandes, traçado grosso)
- •Dar tempo para resposta oral sem completar as frases pelo aluno
- •Trabalhar autonomia: rotina da atividade visível e autoexplicativa
Recursos
- •Cartões de leitura global (palavra + imagem)
- •Letras móveis e alfabeto concreto
- •Jogos de pareamento e lotos ilustrados
- •Engrossadores e pautas ampliadas
Avaliação flexibilizada
- •As mesmas flexibilizações de DI (processo, portfólio, prática)
- •Aceitar demonstração por seleção/apontamento
- •Verificar compreensão oral separada da expressão oral
Evitar
- ✕Subestimar: oferecer só atividades muito abaixo da capacidade
- ✕Depender só de instrução oral
- ✕Atividades de escrita fina longas
- ✕Infantilizar aluno de EF2 com material de EF1
+–Surdocegueirapúblico-alvo AEE
Também aparece como: surdocego
Como esse estudante aprende
- •Perda combinada (não é surdez + cegueira somadas: é uma condição única de acesso à informação)
- •Comunicação por formas táteis: Libras tátil, alfabeto datilológico tátil, objetos de referência
- •Exige mediador/guia-intérprete; adaptação de material é sempre individualizada com o AEE
Estratégias de material (5)
- •Estruturar o conteúdo em experiências concretas e táteis sequenciadas
- •Usar objetos de referência para antecipar atividades
- •Reduzir cada atividade ao seu núcleo essencial, com UMA experiência por vez
- •Planejar junto com o profissional do AEE/guia-intérprete (obrigatório)
- •Registrar respostas por seleção tátil de objetos/cartões em relevo
Recursos
- •Objetos de referência e caixas de antecipação
- •Materiais em alto-relevo e texturas contrastantes
- •Guia-intérprete / instrutor mediador
Avaliação flexibilizada
- •Sempre mediada e individualizada, registrada em PEI
- •Evidências por interação tátil e participação nas etapas
Evitar
- ✕Aplicar adaptações de cegueira OU surdez isoladamente
- ✕Material padronizado sem mediação
- ✕Excesso de estímulos simultâneos
+–Deficiência múltiplapúblico-alvo AEE
Também aparece como: DMU
Como esse estudante aprende
- •Duas ou mais deficiências associadas (ex.: DI + física; DV + DI)
- •O perfil é a COMBINAÇÃO: as barreiras se multiplicam e as adaptações precisam ser compostas
- •Frequentemente usa CAA e depende de mediação contínua
Estratégias de material (6)
- •Combinar as estratégias das condições envolvidas priorizando o canal de acesso preservado
- •Atividades funcionais e significativas ligadas à vida diária
- •Resposta por seleção (olhar, apontar, tocar) com poucas alternativas por vez
- •Pictogramas grandes de alto contraste (CAA) em tudo
- •Fragmentação máxima: uma micro-tarefa por vez, com celebração de cada conquista
- •Planejamento articulado com AEE e família (PEI obrigatório)
Recursos
- •Pranchas de CAA personalizadas
- •Acionadores e tecnologia assistiva indicada por terapeutas
- •Materiais concretos de alto contraste e fácil manuseio
Avaliação flexibilizada
- •Individualizada por PEI, focada em objetivos funcionais
- •Registro descritivo do progresso (o que fez, com que apoio)
Evitar
- ✕Material padrão da turma sem mediação
- ✕Objetivos idênticos aos da turma sem análise
- ✕Sessões longas sem alternância de estímulo
Transtornos de aprendizagem e linguagem
Fora do público-alvo formal do AEE, mas com enorme presença nas salas.
+–Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)alta demanda
Também aparece como: déficit de atenção · hiperatividade
Como esse estudante aprende
- •Atenção sustentada curta; perde instruções longas e detalhes de enunciado
- •Impulsividade: responde antes de ler tudo; troca sinais e pula itens
- •Necessidade de movimento; longos períodos sentado degradam o desempenho
- •Funções executivas frágeis: organização, planejamento e gestão de tempo
Estratégias de material (8)
- •Dividir o material em blocos curtos com marcos visíveis de progresso (ex.: 'Parte 1 de 3')
- •Uma instrução por vez, com verbo no início e destaque visual nas palavras-chave
- •Intercalar tipos de tarefa (ler → marcar → escrever → desenhar) para renovar o foco
- •Colocar checklist de autoverificação ao fim ('Reli minhas respostas? Respondi tudo?')
- •Reduzir itens por página e usar caixas delimitando cada questão
- •Prever mini-pausas ou tarefas com movimento (levantar para buscar, colar, ordenar cartões)
- •Destacar em negrito exatamente o que se pede (ex.: 'marque DUAS opções')
- •Numerar os passos de problemas com várias etapas
Recursos
- •Timer/ampulheta para blocos de trabalho
- •Checklists e quadros de rotina
- •Marcadores coloridos de texto e réguas de leitura
- •Fichas de autoinstrução ('1º leio, 2º sublinho os dados, 3º resolvo, 4º confiro')
Avaliação flexibilizada
- •Tempo estendido e aplicação em blocos
- •Menos questões por página; folha de resposta simples
- •Permitir levantar/movimentar-se entre blocos sem punição
- •Ler enunciados em voz alta e confirmar compreensão antes de iniciar
Evitar
- ✕Enunciados longos com informação irrelevante (distratores desnecessários)
- ✕Páginas densas, sem respiro visual
- ✕Punir a inquietação motora com perda de pontos
- ✕Provas-maratona de longa duração sem pausas
+–Dislexia e outros transtornos específicos de leitura/escritaalta demanda
Também aparece como: transtorno específico de aprendizagem com prejuízo na leitura · disortografia · disgrafia
Como esse estudante aprende
- •Decodificação lenta e custosa; a energia vai para LER, sobra pouco para COMPREENDER
- •Trocas, omissões e inversões de letras/sílabas na leitura e na escrita
- •Desempenho oral frequentemente muito superior ao escrito
- •Fadiga rápida em textos longos e fontes pequenas
Estratégias de material (9)
- •Usar fonte maior (mín. 12-14pt), sem serifa, com espaçamento ampliado entre linhas
- •Textos curtos e diretos; parágrafos pequenos; uma ideia por frase
- •Destacar palavras-chave em negrito e apoiar com imagens
- •Evitar exigir leitura em voz alta diante da turma (constrangimento)
- •Aceitar respostas orais, esquemas e desenhos como demonstração de conhecimento
- •Fornecer resumo/glossário do vocabulário novo antes do texto principal
- •Preferir questões objetivas e de correspondência a longas produções escritas
- •Não descontar erros ortográficos em disciplinas que não avaliam ortografia
- •Segmentar textos com subtítulos e numeração de parágrafos
Recursos
- •Régua de leitura / janela de leitura
- •Áudio do texto (ou leitura pelo professor) junto do escrito
- •Mapas mentais e organizadores gráficos
- •Banco de palavras para produções escritas
Avaliação flexibilizada
- •Leitura do enunciado em voz alta pelo aplicador
- •Tempo estendido
- •Avaliação oral complementar quando a escrita limitar a demonstração
- •Corrigir conteúdo separado de forma (ortografia não invalida a resposta certa)
Evitar
- ✕Textos justificados, em caixa alta contínua ou fonte decorativa
- ✕Cópias longas do quadro
- ✕Ditados como instrumento principal de avaliação
- ✕Comparar cadernos/letra com os dos colegas
+–Discalculiaalta demanda
Também aparece como: transtorno específico de aprendizagem com prejuízo na matemática
Como esse estudante aprende
- •Dificuldade persistente com senso numérico, fatos aritméticos e cálculo mental
- •Confusão com símbolos e sinais matemáticos
- •Dificuldade em memorizar tabuada e sequências de passos de algoritmos
- •Problemas contextualizados longos sobrecarregam (leitura + matemática juntas)
Estratégias de material (7)
- •Manter apoio concreto e visual mesmo em séries avançadas (reta numérica, malha quadriculada, material dourado)
- •Permitir tabuada de consulta e calculadora quando o objetivo NÃO for o cálculo em si
- •Apresentar o passo a passo do algoritmo numerado e com um exemplo resolvido ao lado
- •Usar malha quadriculada para alinhar contas (evita erro de posição)
- •Reduzir a carga de leitura dos problemas: frases curtas, dados destacados
- •Um tipo de operação por bloco de exercícios; avisar quando o tipo mudar
- •Conectar problemas a situações reais e visualizáveis (dinheiro, medidas do corpo, receitas)
Recursos
- •Reta numérica e quadro de centenas
- •Malha quadriculada
- •Material dourado e ábaco
- •Tabuada de apoio; calculadora (conforme objetivo)
- •Dinheiro de brinquedo e instrumentos de medida reais
Avaliação flexibilizada
- •Avaliar raciocínio e estratégia, não só a resposta final (pedir 'como você pensou')
- •Permitir material de apoio combinado previamente
- •Tempo estendido e menos questões
- •Aceitar resolução com desenho/esquema
Evitar
- ✕Provas de tabuada por tempo (arme e efetue em corrida)
- ✕Descontar por erro de cálculo quando o raciocínio está correto e o objetivo era o raciocínio
- ✕Listas longas e repetitivas do mesmo algoritmo
- ✕Trocar constantemente o formato de apresentação das contas
+–Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL) e apraxia de falaalta demanda
Também aparece como: TDL · distúrbio específico de linguagem · atraso de linguagem
Como esse estudante aprende
- •Compreensão e/ou expressão oral abaixo do esperado sem causa sensorial ou intelectual
- •Vocabulário reduzido, frases curtas, dificuldade com instruções longas
- •A escrita costuma refletir as dificuldades da oralidade
Estratégias de material (6)
- •Instruções curtas com apoio visual e demonstração
- •Pré-ensinar vocabulário-chave com imagem antes da atividade
- •Dar modelos de frase para completar ('O personagem sentiu ___ porque ___')
- •Aceitar respostas por seleção e apontamento enquanto a expressão se desenvolve
- •Perguntas fechadas ou de alternativas antes de perguntas abertas
- •Tempo de espera generoso para a resposta oral (sem completar pelo aluno)
Recursos
- •Cartões de vocabulário ilustrados
- •Moldura de frases (sentence frames)
- •Sequências de imagens para narrativa
- •Pranchas de CAA como apoio (quando indicado por fonoaudiólogo)
Avaliação flexibilizada
- •Separar avaliação de conteúdo da avaliação de linguagem
- •Permitir resposta apontada/selecionada
- •Reformular a pergunta com apoio visual antes de considerar 'não sabe'
Evitar
- ✕Corrigir a fala do aluno na frente da turma
- ✕Instruções em cadeia ('pegue, recorte, cole e depois pinte')
- ✕Avaliar exclusivamente por apresentação oral
Adaptações por disciplina
Língua Portuguesa
EF1 + EF2Ler, compreender e produzir textos; comunicar-se. A adaptação muda o CAMINHO (extensão, canal, apoio), nunca elimina o contato com textos reais.
- •Textos encurtados mantendo o gênero e o sentido (versão de leitura fácil)
- •Vocabulário difícil glossariado com imagem
- •Compreensão por seleção (marcar, ligar, ordenar cenas) antes de perguntas abertas
- •Produção com apoio: banco de palavras, moldura de frases, sequência de imagens para narrar
- •EF1: alfabetização multissensorial (letras móveis, sílabas em cartões, palavra+imagem)
- •EF2: gêneros mantidos (notícia, crônica, argumentação) com estrutura esquematizada em organizadores
Matemática
EF1 + EF2Resolver problemas e raciocinar matematicamente. A adaptação concretiza e fragmenta; o raciocínio continua sendo o alvo.
- •Todo conceito ancorado em representação concreta ou pictórica antes do simbólico (concreto→pictórico→abstrato)
- •Problemas com frases curtas, dados destacados e UMA pergunta
- •Malha quadriculada para operações; reta numérica sempre disponível
- •Exemplo resolvido antes da série de exercícios; passos numerados
- •EF1: contagem e operações com material manipulável descrito no material
- •EF2: álgebra/geometria com modelos visuais (balança para equações, dobraduras, GeoGebra), permitir calculadora quando o objetivo é o conceito
Ciências
EF1 + EF2Investigar fenômenos e compreender o mundo natural. Priorizar experiência direta: ver, tocar, testar, registrar.
- •Partir de experimento/observação simples com roteiro visual passo a passo
- •Esquemas rotulados grandes em vez de textos longos (corpo humano, ciclos, cadeias)
- •Registro por desenho, foto legendada ou colagem além do texto
- •Vocabulário científico em glossário ilustrado (máx. 5 termos novos por material)
- •EF1: temas do cotidiano (plantas, animais, corpo, água) com classificação por cartões
- •EF2: modelos concretos para o microscópico/abstrato (célula em massinha, sistema solar em escala, maquetes)
História
EF1 + EF2Compreender tempo, mudança e sociedades. Tornar o tempo VISÍVEL e as pessoas CONCRETAS.
- •Linha do tempo visual em toda unidade (antes/depois; passado/presente)
- •Narrar história como HISTÓRIA: personagens, cenário, conflito (storytelling) e quadrinhos
- •Comparações presente×passado com quadros de duas colunas ilustrados
- •Fontes históricas adaptadas: imagens grandes, objetos, relatos curtos reescritos em leitura fácil
- •EF1: partir da história do próprio aluno e da família/comunidade
- •EF2: conceitos abstratos (revolução, escravidão, república) sempre com caso concreto + esquema causa→consequência
Geografia
EF1 + EF2Ler o espaço e a relação sociedade-natureza. Do espaço VIVIDO (casa, escola, bairro) ao distante.
- •Sempre do próximo ao distante: casa→rua→bairro→cidade→país
- •Mapas simplificados: poucos elementos, legenda com símbolos grandes, cores contrastantes
- •Maquetes e croquis do espaço real do aluno
- •Fotos e imagens de satélite comentadas em vez de descrições longas
- •EF1: lateralidade e localização com jogos e percursos no espaço físico descritos no material
- •EF2: gráficos e indicadores traduzidos em pictogramas comparativos (1 boneco = 1 milhão de pessoas)
Arte
EF1 + EF2Criar, apreciar e expressar-se. A produção do aluno com deficiência é legítima como é: adapta-se a ferramenta, não o valor.
- •Ferramentas adaptadas (pincéis engrossados, carimbos, colagem de peças grandes)
- •Apreciação multissensorial: descrever obras, explorar texturas, sonorizar imagens
- •Passo a passo visual das técnicas com uma etapa por imagem
- •Escolha entre linguagens (desenho, colagem, foto, som, corpo) para o mesmo objetivo expressivo
- •EF1: explorar materiais e gestos amplos antes de traçados finos
- •EF2: projetos autorais com referência de artistas diversos, incluindo artistas com deficiência
Educação Física
EF1 + EF2Cultura corporal do movimento PARA TODOS. Ninguém assiste da arquibancada: adapta-se regra, espaço, material ou função.
- •Adaptar a regra (todos jogam sentados; passe obrigatório para todos antes do ponto)
- •Adaptar o material (bola maior/mais lenta/com guizo; alvos ampliados)
- •Adaptar o espaço (quadra reduzida, percursos demarcados com alto contraste)
- •Adaptar a função (árbitro, cronometrista, estrategista rotativos, mas garantindo o jogar)
- •Referências do paradesporto: vôlei sentado, goalball, bocha (jogos oficiais adaptados)
- •Instruções demonstradas fisicamente + apoio visual, não apenas verbais
Língua Inglesa
EF2Comunicar-se de forma básica e reconhecer a língua no mundo. Vocabulário funcional antes de gramática.
- •Vocabulário em cartões palavra+imagem (sem tradução escrita como única ponte)
- •Chunks funcionais (frases prontas úteis) em vez de regras gramaticais isoladas
- •Músicas, jogos e rotinas repetitivas de sala como corpus principal
- •Inglês no cotidiano do aluno: games, marcas, redes sociais como material
- •Avaliar por reconhecimento e uso funcional, não por produção escrita normativa
Ensino Religioso
EF1 + EF2Respeito à diversidade de crenças e culturas (caráter não confessional, BNCC).
- •Narrativas e símbolos apresentados com imagens e objetos
- •Rodas de conversa com apoio de cartões de sentimentos/valores
- •Comparações entre tradições em quadros visuais simples
- •Projetos de convivência e empatia com dramatização
Fontes de referência
- •Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015, LBI)
- •Lei 12.764/2012 (Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA)
- •Decreto 7.611/2011 (Atendimento Educacional Especializado, AEE)
- •Resolução CNE/CEB 4/2009 (Diretrizes do AEE)
- •Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (MEC, 2008)
- •Glossário da Educação Especial do Censo Escolar (INEP, 2024)
- •PCN Adaptações Curriculares: Estratégias para a Educação de Alunos com Necessidades Educacionais Especiais (MEC)
- •Diretrizes do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA; CAST/UDL Guidelines; tradução RBEE/SciELO)
- •Literatura de PEI, o Plano Educacional Individualizado (eduCapes; Nova Escola)
- •ARASAAC: biblioteca aberta de pictogramas para Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA)
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